Sobre o Carnaval, a Sapucaí e Santa Teresa

Nessa última semana tive que mudar de calça e colocar uma branca para cair no samba. Porém, eu não sou exatamente adepta ao samba, à folia e muito menos à calça branca. Então, tudo começou na sexta-feira em São Paulo, com a escola Acadêmicos do Tucuruvi. Tirando todas as adversidades como a chuva, a calça social branca e uma sandália branca de salto, tudo correu bem. E passei no primeiro teste do feriado.

Pausa para uma breve explicação: em 5 anos de namoro com uma pessoa que ama carnaval, escolas de samba e etc, eu nunca havia acompanhado um desfile tão de perto. Passamos quase todos os carnavais separados, mas dessa vez foi diferente, pois venho acompanhando os ensaios desde setembro quando o meu namorado compôs um samba para uma escola de São Paulo.

De São Paulo para a cidade maravilhosa, segui viagem exatamente para assistir aos desfiles na Sapucaí. Aí o teste já foi mais difícil, foram duas noites que começaram às 19h e só acabaram ao amanhecer. Não foi fácil, mas sobrevivi. Na verdade achei mais interessante do que eu imaginava, me empenhei em tentar entender e acompanhar todos os enredos através de um caderninho que eles entregam e que explica ala por ala, carro por carro… E se você não quiser raciocinar demais, vai aceitar as explicações junto com algumas latinhas de cerveja. Claro que junto a tudo isso, ainda havia algumas distrações, como seguir o Instagram dos famosos que estavam no camarote da Brahma, que estava bem a nossa frente, reconhecer as celebridades conforme seus abadás e fantasias e pegar algum flagra. Não aconteceu! Rs…

Devo ter passado no teste do carnaval com uma nota 7,0 no quesito evolução, mas bombei no último segundo. Na quarta-feira de cinzas, quando seguimos um bloco de rua em Santa Teresa, chamado “Me enterra na Quarta”, só com marchinhas antigas… Uma graça né? Hm… Não exatamente… Não é nada lúdico e nostálgico um monte de gente suada, bêbada, pulando no seu dedinho do pé, com direito a cerveja quente e empurra-empurra… Bom, mas retomando ao foco desse post – costumo viajar bastante para o Rio e o meu programa favorito é geralmente praia, boteco e alguns restaurantes “achados”. Já ficamos hospedados em Ipanema, Copacabana, Botafogo… Qualquer dia ainda dou dicas de hospedagens. Dessa vez ficamos em Santa Teresa. Achei o máximo, porque nunca havia ido pra lá e tive a oportunidade de conhecer esse bairro super charmoso e interessante que virou hype para quem curte lugares tranquilos com um pezinho no passado.

Santa Teresa é um bairro antigo, cheio de ladeiras, escadarias e casas grandes e bonitas. Por lá passava um bonde que era o grande meio de transporte dos moradores da região, mas após um acidente com o bonde, ocorrido há alguns anos, ele foi desativado e está em reforma. Mas tenho que admitir que ficar hospedada em Santa Teresa no carnaval não foi exatamente um bom negócio. Muitos blocos saem de lá, e o acesso ao bairro não é dos mais fáceis também, muitos taxistas recusam trabalho por não quererem desgastar seus carros em ladeiras de paralelepípedos e afins. E para mim há o seguinte agravante: não há padarias boas por perto para se tomar um bom café da manhã.

Em contrapartida, fomos num restaurante que eu super recomendo – o Espírito Santa. É bem para turista ver, mas a comida é uma delícia. Digo, “para turista” pois tem a pegada de comida brasileira revisitada, com fru-fru, confete e etc. Começamos com uma entrada delícia: Olho de Sogro, que leva ameixas recheadas com mini linguiça artesanal, cebolas caramelizadas e flambadas na cachaça. Dos deuses! O prato foi menos incrível, mas igualmente gostoso: Arroz do Mangue, arroz com caranguejo e abobrinhas confitadas em azeite de alecrim. A fome falou mais alto, e não deu tempo de tirar a foto. Tudo isso acompanhado de uma cerveja que gostei muito, a Amazon Beer. Eu não a conhecia, e assim mesmo provei dois tipos e adorei os dois: Forest Bacuri, uma cerveja clara e frutada, e a Witbier Taperebá, uma cerveja com trigo e também frutada, mais cítrica.

A sobremesa foi um Quadradinho de Tapioca, um tipo de cuscuz de tapioca com calda de chocolate e laranja. Hm… amo a combinação chocolate com laranja! Bom, a dica de Santa Teresa é ir sem pressa, ir para andar e se encantar com o climinha antigo, retrô…. Eu não ficaria hospedada por lá, pois realmente fica longe de muitos outros lugares que eu gosto do Rio, mas há ótimos hotéis e dá pra fazer um fim de semana especial só de Santa Teresa de repente…Tem até um cineminha mais cult com bons filmes no Largo do Guimarães. Vale a visita!

 

Anúncios