SPFW Verão/2015 #Reflita

Olá! Deve fazer uns 4 anos que não coloco meus pés num evento de moda. Durante anos trabalhei como repórter freelancer e pude acompanhar de pertinho a correria dos eventos de São Paulo, do Ceará e Santa Catarina. Nessa ponte aérea fashion, faltaram as semanas do Rio e Minas Gerais, mas tudo bem. No heart feelings. Nessa época escrevi páginas e mais páginas em revistas, sites e blogs que trouxeram todos os detalhes dos desfiles, backstages e eventos paralelos. Mas em todos os eventos, sem exceção, algumas observações e questionamentos nunca couberam exatamente nas pautas. Na verdade, este sempre foi um resguardo meu, “deixa para as entrelinhas”, deixa para outra hora, num café com as amigas talvez…

Após esse tempo todo ausente dos eventos, fui buscar outras fontes, mudei de figurino e de “ramo”, fui reciclar a cabeça, até parar exatamente numa marca de moda jovem. E por ali fiquei durante 2 anos conhecendo e observando de pertinho os meandros da indústria – a dificuldade de se produzir com qualidade e pontualidade no Brasil, as altas taxas de importação, a novela mexicana que é chegar e liberar um container, o desdém dos fornecedores chineses em entregar produtos conforme as especificações detalhadíssimas das fichas técnicas e por aí vai. O fato é que todas as marcas de moda, nacionais ou não, passam pelos mesmos problemas. A ideia é sempre a mesma: ter uma alta escala de produção, reduzir o custo por peça ao máximo para que se possa, enfim, aumentar o lucro, pagar as contas e sobrar algum. E quem não tem essa equação na ponta do lápis, como os estilistas que hoje desfilam no SPFW, #comofaz? Bata o olho no line up do evento, retire as marcas pertencentes aos grandes grupos e responda pra mim. As marcas ou estilistas queridinhos do mundo da moda podem lucrar até 300 vezes o custo de “uma peça” ou de uma coleção inteira para o consumidor final, mas assim mesmo a conta não fecha. Os gastos com propaganda, publicidade, V.M., aluguel e manutenção das lojas, contratação, reciclagem e treinamento de equipes são enormes! Fora os custos operacionais, taxas, impostos… enfim… E quem é que compra? Se compra, vai a onde com essas roupas? Tô loka?

E sei lá, fico pensando até nos jornalistas que vão cobrir o evento… A essa altura, como a semana de moda começa no dia 30/03, já tem fashionista entrando em contato com as marcas ou stylists e produtores-amigos para emprestar algumas pecinhas renomadas e dar pinta nos corredores e na “primeira fila”. Uma vez fiquei sabendo que isso acontecia e fiquei chocada. Ingênua, eu? Imagina… Mega preguiça eterna de tanta importância à aparência, quando a gente sabe que de lindo (e rico) o mundo da moda nacional não tem nada. Aquele sonho, aquela promessa, aquela empolgação que existia (2000 feelings) em torno dos estilistas, das marcas novas, do quanto a moda brasileira iria crescer, não passaram de um sonho de uma noite de verão. Pena mesmo. Quem ama a moda sabe o quanto é triste e incerto o cenário atual. O mundo da moda é mesmo cheio de meandros e entrelinhas… Melhor mesmo deixar pra depois, ou quem sabe até para um bate-papo com as amigas… Wanna join?

A entrevistadora do vídeo, apesar da calça vermelha, não faz parte desse blog (thank god!). A Neon, que era uma marca super querida das editoras de moda e arrasava nos desfiles, resiste, mas não desfilará nesta edição do SPFW. (Saiba + sobre a marca aqui).

Anúncios