ZARA – A cura de um vício

O post que abre a semana vem com uma boa notícia: é possível se curar do vício de comprar na Zara! E esse não é um vício qualquer, não há terapia ou remédio que dê jeito. E não adianta ficar em casa, porque sempre existirá o e-commerce. Ser humano, se você é chegado numa novidade, curte moda, estampas coloridas, echarpes maravilhosas, casacos gostosinhos, calças skinnys bem cortadas, tricôs com aplicação, blazers esportivos, óculos de Sol, bolsas descoladas, perfuminhos e mais uma infinidade de produtos, e principalmente preços acessíveis, a Zara é o seu lugar. Durante dois anos este foi meu endereço certo semana sim, semana não, as vezes até duas vezes na mesma semana em shoppings diferentes. Vício mesmo!

Tudo começou quando a Zara chegou no Brasil, isso lá em 1999, me lembro que a primeira loja que fui visitar foi a do Shopping Iguatemi. Dei uma geral na loja, mas achei os preços excessivamente altos para um magazine tão popular na Europa. Aos poucos fui me acostumando com a alta rotatividade dos produtos, as promoções especiais, a qualidade e variedade das peças e por fim a liquidação. E eles são bons nisso. Quem é que nunca se sentiu abduzido pelo banner, que se parece com um “universo”, com a palavra Saldo escrita bem grande em vermelho na vitrine? É um convite ao consumo (para ser discreta). A coisa foi piorando quando a Marina, que também escreve no blog, começou a trabalhar na mesma loja. Ela sempre me contava sobre as novidades da marca e a minha curiosidade e interesse aumentavam a cada dia.

Em 2012, fui trabalhar no departamento de marketing de uma marca de moda jovem, e fiquei ainda mais ligada no universo desta marca e em tudo o que ele representa para o mundo da moda. Everybody wants to be Zara! #TodasQuer Mas a realidade behind the scenes faz a gente repensar sobre essa admiração toda. Já até falei sobre isso aqui. Mas ressalto também como uma das principais causas do consumo “enlouquecido” o sentimento de frustração, de infelicidade e insegurança. A moda joga com o medo e faz você acreditar que “aquela nova peça” lhe trará valorização, reconhecimento e a sensação de pertencimento à sociedade (ou a um grupo específico). A Zara, que eu me jogava toda semana por motivos profissionais de pesquisa, também representou para mim uma válvula de escape para diversas outras questões… Passados 4 meses desde que saí da empresa de moda em que eu trabalhava, meu interesse pela Zara foi diminuindo à medida em que comecei a dar mais valor a mim do que às roupas. A Zara é a mesma – com suas novidades, cores, tecidos, acessórios, etc., quem mudou fui eu. E acredito que esta deva ser a melhor cura para qualquer vício, seja ele qual for: as compras, o jogo, o cigarro, a bebida, o sexo, a mentira… É importante entrar no provador, despir-se e encarar seus medos de frente. A roupa que veste também esconde o maior bem de todos, aquele que não pode ser comprado à vista, nem parcelado: a aceitação, o respeito e a valorização de si mesmo. Na minha última visita à Zara, neste sábado, no mesmo Shopping Iguatemi, entrei na loja, dei uma olhada geral em todas as peças e expositores, e me despedi confiante dessa velha amiga tão sedutora e ardilosa.

Só por hoje...

Só por hoje…

 

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